Léxico do ódio e a produção de memes: um estudo à luz da Linguística Cognitiva

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.47295/mgren.v13i2.1511

Palabras clave:

Léxico do ódio, Discurso de ódio, Meme, Linguística Cognitiva, Linguística de Corpus

Resumen

Este estudo objetiva discutir a função dos itens lexicais pejorativos referentes aos partidos e/ou políticos de esquerda na criação de memes que alimentam o discurso de ódio na cena política brasileira. Para tanto, cumpre o seguinte percurso: (i) identifica os itens lexicais que recuperam anafórica e pejorativamente partidos e/ou políticos de esquerda; (ii) captura memes cuja construção partem desses itens lexicais em foco; por fim, (iii) explicita as operações cognitivas envolvidas na criação de memes, tendo em vista os insumos advindos dos itens lexicais pejorativos referentes aos partidos e/ou políticos de esquerda. Como orientação teórica, este estudo reúne os trabalhos sobre Discurso de Ódio (Schäfer, Leivas e Santos, 2015), Memificação do ódio (Solano, 2018), Linguística Cognitiva (Chiavegatto, 2009; Salomão, 1999; Miranda, 1999), Semântica de Frames (Filmore, 1977; Ferrari, 2013); Léxico (Antunes, 2012; Laroca, 2003) e Meme (Marcuschi, 2002, 2008; Costa, 2005; Candido; Gomes, 2015). Como orientação metodológica, adota-se os princípios da Linguística de Corpus (Sardinha, 2000). Os dados para a compilação do corpus são extraídos da obra O País dos Petralhas (Azevedo, 2008). Os resultados apontam para o Macroframe POLÍTICA como orientador do corpus. Para a construção do discurso de ódio, uma das estratégias encontradas foi a criação de neologismos para identificas agentes políticos de Esquerda. Em ordem de frequência, temos: petralha, esquerdopata, petralhantra, petralhotário, petralhada, esquerdofrênico, esquerdiota. Para a produção de memes, na Internet destaca-se os termos petralha e esquerdopata. Cabe salientar que, tanto o discurso de ódio quanto o processo de memificação do ódio, partem do signo linguístico, sendo assim, os estudos da linguagem humana tem papel fundamental na identificação e funcionamento dessas estratégias. Logo, precisamos estar atentos, haja vista a defesa de uma arena pública mais segura para todos.

Biografía del autor/a

João Victhor Alves da Silva, Universidade do Estado da Bahia

Mestrando em Estudos Linguísticos na Universidade do Estado da Bahia – UNEB – Campus X. Licenciado em Letras – Língua Portuguesa e Literaturas de. Bacharel em Direito, pela Faculdade Anhanguera de Teixeira de Freitas.

Crysna Bomjardim da Silva Carmo, Universidade do Estado da Bahia

Doutora em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG, 2017), Mestre em Letras/Linguística pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF, 2005), especialista em Linguística Forense pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP, 2018), é licenciada em Letras/Português pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB, 2001). Professora Assistente da Universidade do Estado da Bahia (UNEB, 2010), lotada no Departamento de Educação - Campus X (DEDC-X), leciona as disciplinas ligadas ao núcleo duro da Linguística, orienta pesquisas no curso de Letras e ministra aulas de Leitura e Produção Textual em outros cursos de graduação. Pertence ao quadro de professores permanente do Mestrado em Letras [aprovado em 2020]. Professora vinculada ao Grupo de Estudos Interdisciplinares em Cultura, Educação e Linguagens - GEICEL. Tem experiência em teoria e descrição linguística, atuando especialmente nos seguintes temas: Linguística de Corpus, Language into Act Theory, Linguística Cognitiva, Linguística Forense e Sociolinguística, privilegiando dados de natureza empírica. Dentre os seus projetos destaca-se: Mapa Linguístico da Fala Espontânea do Extremo Sul da Bahia e Assimetria Linguística em Contexto Institucional.

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Publicado

2024-09-03

Número

Sección

Artigos - Estudos Linguísticos