“NADA HUMANO É ESTRANHO PARA MIM”:

CARSON McCULLERS, GROTESCO E TRANSGRESSÃO

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47295/mgren.v11i1.236

Palavras-chave:

Carson McCullers. Grotesco. Literatura Sulista. Transgressão. Marginalidade.

Resumo

Este artigo visa investigar as figurações que assume o grotesco em A Balada do Café Triste, única novela de Carson McCullers, publicada em 1943, na Harper’s Bazaar, e posteriormente incorporada à coletânea homônima, em 1951. Assim, mobilizamos dados sócio-históricos sobre o contexto da produção de McCullers e teorias sobre o grotesco dentro da literatura moderna, em especial na ficção sulista. Nos concentramos, principalmente, no grotesco como modo de construção de personagem, de maneira que nosso estudo enfoca esse elemento essencial da narrativa. Nosso principal contato teórico se desenvolve em relação às concepções de Mikhail Bakhtin em A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento (1965), vínculo originalmente proposto pela pesquisadora Sarah Gleeson-White, em sua obra Strange Bodies: Gender and Identity in the Novels of Carson McCullers (2003). A partir disso, procuramos ressaltar a potência positiva e subversiva que o grotesco adquire na literatura de McCullers, com a abertura para a resistência às normatividades hegemônicas da sociedade sulista, especialmente rígidas na primeira metade do século XX, e para modos alternativos de subjetividade. Desse modo, o artigo reforça a minuciosa visão social de McCullers, que ultrapassa a percepção de suas personagens como meros símbolos, conforme a crítica os concebeu por décadas.

Biografia do Autor

Giovana de Proença Gonçalves, Universidade de São Paulo

Graduanda em Letras Português/Inglês na FFLCH-USP. Desenvolve pesquisa de Iniciação Científica no Departamento de Teoria Literária e Teoria Literária (DTLLC – USP) sobre a obra da escritora norte-americana Carson McCullers.

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Publicado

2022-04-30 — Atualizado em 2022-06-20

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Seção

Artigos - Estudos Literários